“Aleluia! Louvem a Deus no seu santuário, louvem-no no seu poderoso firmamento. Louvem-no pelos seus feitos poderosos, louvem-no segundo a imensidão de sua grandeza! Louvem-no ao som de trombeta, louvem-no com a lira e a harpa,

louvem-no com tamborins e danças, louvem-no com instrumentos de cordas e com flautas, louvem-no com címbalos sonoros, louvem-no com címbalos ressonantes. Tudo o que tem vida louve o Senhor! Aleluia!”

– Salmo 150.1-6

Louvar a Deus é algo concreto. Louvor não é tagarelice. Louvar a Deus não é se alienar dos desafios da vida em êxtases místicos. Louvor não é cantarolar palavras vazias ao vento. Pelo contrário, louvar a Deus tem a ver com a concretude da vida.

A convocação para louvar a Deus é clara e concreta: “Aleluia! Louvem a Deus”.

O local da adoração a Deus é concreto: Deus deve ser louvado “no seu santuário” e “no seu poderoso firmamento”. Céus e terra unidos em adoração ao Rei do universo. Deus deve ser adorado em seu santuário. O santuário de Deus é mais que o templo do Antigo Testamento, é o nosso próprio corpo, é a igreja, é a comunidade dos salvos: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1Coríntios 3.16). Devemos louvar a Deus em nosso corpo!

As razões do louvor a Deus são concretas. Pelo que Deus deve ser louvado? O Salmo responde: “Louvem-no pelos seus feitos poderosos!”. Ele é o Deus que intervém, que age, que atua. Louvem-no pelos seus feitos poderosos: ele criou o universo! “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19.1). Louvemos a Deus por tudo aquilo que ele fez, aquilo que ele faz, aquilo que ele fará! Não somos deístas, não cremos que Deus criou o mundo e nos abandonou. Louvemos a Deus pelos seus feitos poderosos: pelo supremo ato de amor ao enviar seu filho amado Jesus para morrer na cruz em nosso lugar. Mas não devemos louvá-lo apenas por aquilo que ele nos faz, mas também por aquilo que ele é! “Louvem-no segundo a imensidão de sua grandeza!”. Nosso Deus é grande, belo, perfeito, santo, fiel, bondoso, verdadeiro, amoroso, eterno! Louvemos a Deus em espírito e em verdade, nosso Deus é Espírito e também Verdade. “Ao Rei eterno, ao Deus único, imortal e invisível, sejam honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Timóteo 1.17).

O modo de louvar a Deus também é concreto. Essa adoração, no entanto, não é feita apenas com palavras ditas ou escritas. Se a convocação do louvor é concreta, suas causas são concretas, devemos estar certos que o modo de adorar a Deus também deve ser concreto! A adoração envolve todo nosso ser, nossas motivações, anseios, atitudes. Neste Salmo 150 encontramos orientações também sobre o modo da adoração: “Louvem-no ao som de trombeta, louvem-no com a lira e a harpa, louvem-no com tamborins e danças, louvem-no com instrumentos de cordas e com flautas, louvem-no com címbalos sonoros, louvem-no com címbalos ressonantes”. É uma adoração concreta, palpável, materializada. Podemos apontar pelo menos quatro aspectos práticos para um louvor concreto: Deus pode ser louvado com nossas ferramentas, nossas faculdades, nossa firmeza e nosso fôlego. São quatro efes para um louvor concreto: F-F-F-F, vamos refletir:

1. Ferramentas

O Salmo menciona inúmeros instrumentos: trombeta, lira, harpa, tamborins, instrumentos de cordas, flautas. Deus nos deu capacidades para criar ferramentas. Podemos criar uma foice para ceifar alimento, mas ao mesmo tempo usá-la para ceifar vidas. O ser humano está desconectado de Deus, é um ser caído, que pode criar enxadas para arar a terra, mas ao mesmo tempo espadas para matar seu semelhante. Somos capazes de edificar hospitais e universidades, mas também bombas termonucleares e campos de concentração para extermínio sistemático de outros seres humanos.

No início da Bíblia está escrito que um descendente de Caim chamado Jubal, “foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gênesis 4.21) e ainda que Tubalcaim foi o aquele que “fabricava todo tipo de ferramentas de bronze e de ferro” (Gênesis 4.21-22). Da linhagem do perverso Caim vieram homens que criaram instrumentos, ferramentas. Eram pessoas perversas, mas os instrumentos e ferramentas poderiam ter novos usos, poderiam ser ressignificados, reutilizados de outro modo. No Salmo 150 flauta e harpa se tornam instrumentos de louvor a Deus!

Diariamente utilizamos instrumentos e ferramentas variadas: roupas, computadores, móveis. Que possamos louvar a Deus com nossas ferramentas! Que possamos dizer: “eu e meu iPhone serviremos a Deus”, “eu e meu carro serviremos a Deus”. Não pense que as coisas não importam. Precisamos estar atentos, pois como Jesus disse, não se pode servir a Deus e a Mamon. O problema é que muitas vezes as coisas nos dominam. Agimos de modo materialista, ao contrário de sermos bons mordomos de Deus.

Que possamos ser adoradores com aquilo que estiver em nossas mãos. Como aquele menino colocou os pães e peixes, coloquemos aquilo que estiver em nossas mãos à serviço do Rei Jesus. Sejamos adoradores com nossos pertences! Você louva a Deus com as suas ferramentas? Ou elas são instrumentos para o pecado?

2. Faculdades

Deus nos deu faculdades impressionantes: falar, raciocinar, criar. Somos imagem e semelhança de Deus! O Salmo fala sobre capacidades musicais, capacidade de dançar, de mover-se no ritmo certo. Você tem louvado a Deus com suas capacidades?

Deus nos deu talentos conforme sua soberana vontade. Há pessoas, no entanto, cheias de habilidades, beleza, carisma, mas nada disso está a serviço do Reino de Deus, da humanidade, para o bem do mundo. São pessoas que fazem tudo para seu próprio louvor. Estão ocupadas somente em escreverem seus próprios nomes nas estrelas, como os construtores da Torre de Babel. Pessoas mesquinhas, ensimesmadas, sem amor, Deus nos livre de uma alma pequena. Deus nos livre de uma visão minúscula da vida.

Que possamos multiplicar os talentos que o Senhor nos confiou. Use seus talentos para a glória de Deus. Sua capacidade de liderar, sua percepção, sua inteligência, sua facilidade de agregar pessoas, seu bom humor, são capacidades que Deus te deu. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tiago 1.17).

3. Firmeza

O biblista Derek Kidner fez uma interessante observação sobre os instrumentos mencionados no Salmo 150: “vários lados da vida se tocam: grandes ocasiões nacionais e sagradas, ao som da trombeta (esta era o chifre curvo empregado para anunciar o ano do jubileu, Levítico 25.9); celebração alegre, por exemplo, de uma vitória, com adufes e danças (Salmo 81.2 e Salmo 149.3); a produção da música simples, julgando pelas associações quotidianas da flauta (Gênesis 4.21; Jo 21.12; Jó 30.31)”.

Ou seja, esses instrumentos também podem apontar para momentos diferentes da vida: assembleias solenes, momentos triviais, conquistas, derrotas. É assim que devemos adorar a Deus! Em todo tempo, com toda nossa firmeza. Muitas vezes somos tão resolutos para aquilo que é insignificante. Levamos diversas vezes nossos gostos e opiniões pessoais às últimas consequências. Agimos de modo intransigente com nossas visões políticas, culturais, esportivas, e até mesmos em nossos caprichos. E muitas vezes, não honramos a Deus assim.

Perdemos oportunidades de adorarmos nosso amado Jesus com nossa resiliência, nossa garra, nossa perseverança. Desistimos fácil, murmuramos instantaneamente, praguejamos aos invés de adorar. “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (Tiago 1.12).

Nosso Senhor afirmou: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês” (Mateus 5.10-12).

4. Fôlego

Se você se armou de desculpas dizendo “eu não tenho ferramentas para louvar a Deus”; “eu não tenho faculdades para louvar a Deus”; “eu sou desqualificado, inconstante, jamais conseguirei louvar a Deus com minha firmeza”, ficará indesculpável ao fim do Salmo 150: tudo o que respira louve ao Senhor! Você pode louvar a Deus com sua respiração! Não há desculpas, não há chance de fugir. Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor! Afinal, como está escrito, “os mortos não louvam o Senhor, tampouco nenhum dos que descem ao silêncio. Mas nós bendiremos o Senhor, desde agora e para sempre!” (Salmo 115.17-18).

Você pode estar triste, mas não está morto. Você pode estar abatido, mas não esta morto! Você está vivo, está lendo este texto, está sendo tocado pelo Espírito Santo de Deus, portanto, encare a vida, enfrente a realidade, consagre sua vida a Deus! Louve-o!

Uma adoração concreta é aquela que passa a envolver toda a nossa existência! Quanto maior nosso conhecimento de Deus, maior nosso amor por ele. A adoração é a única reação cabível diante de tão grande amor. A perplexidade, gratidão e absoluto sentimento de inadequação ante tão profunda misericórdia divina, nos levam ao louvor, a exaltação daquele que vive e reina: o Senhor Deus Criador dos céus e da terra! É tudo sobre Deus: Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A Bíblia começa com a criação graciosa de Deus: “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1.1), e termina com a graça criadora de Deus: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Apocalipse 22.21).

Como o evangelho é poderoso! Ele alcança pessoas como nós: violentas, pecadoras, ingratas. Como afirmou meu amigo Maurício Zágari: “Deus chamou pecadores para pregarem contra o pecado, convocou abatidos para proclamarem a alegria, conclamou doentes a orarem pelos enfermos, exortou carentes a anunciarem a plenitude”. Essa é a beleza do evangelho: ele é baseado no amor de Deus! Louvemos esse Deus! Exaltemos seu Santo Nome! Aleluia!

Pr. Davi Pereira do Lago

São Paulo, Brasil

davi.pereira.lago@gmail.com

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