I have a dream!” Esta foi a célebre frase proferida pelo pastor negro Martin Luther King nas escadarias do Lincoln Memorial, em Washington DC (Estados Unidos) em 28 de agosto de 1963, naquele que ficou marcado com o mais belo e percuciente discurso na luta pelos direitos civis e igualdade racial! Negros e brancos, homens e mulheres, ricos e pobres têm o direito de sonhar, amar, serem amados e respeitados.

No entanto, 54 anos depois daquele lindo discurso, 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos no Brasil… a cada 7 minutos surge uma nova denúncia de violência contra mulheres – com massiva maioria referindo a mulheres negras… estima-se que 86% das mulheres brasileiras sofrem ou já sofreram assédio em lugares públicos… Além disso, algumas chegam a trabalhar 7 horas a mais do que o homem (juntando a atividade profissional com os afazeres domésticos)… Em média, recebem 23% a menos do que os homens para cargos semelhantes…

Boa parte da população concorda que os movimentos feministas possuem exageros na militância e formas de expressão – não é essa a questão em debate (este não é um artigo feminista!) – mas, parece claro que ainda vivemos numa sociedade doente e preconceituosa…

Precisamos falar sobre isto!

Como a Bíblia se posiciona sobre a questão?

Cremos que existe todo um invólucro de milagre na inspiração, revelação e iluminação da Santa Palavra de Deus, ela é luz para nosso caminho e lâmpada para nossos pés!

 Tendo isto como premissa, podemos afirmar: A BÍBLIA NÃO É UM LIVRO MACHISTA! Porém, foi escrita num contexto machista!

 O que quero dizer é que TODA a Bíblia deve ser lida à luz de uma crítica histórica e verificada sob as lentes do contexto em que foi concebida.

Há poucos dias aconselhei uma jovem que se entristecia todas as vezes que lia a passagem de I Coríntios 11:7, a qual afirma que “o homem não deve cobrir a cabeça, visto que ele é imagem e glória de Deus; mas a mulher é glória do homem”… Será que esse trecho é a prova de que Deus ama mais aos homens do que às mulheres?

Categoricamente, posso afirmar que NÃO!

Entretanto, veja-se que na época das cartas paulinas as mulheres não tinham plena capacidade civil; eram costumeiramente impedidas de exercer atividade remunerada; quando repudiadas ou divorciadas, eram condenadas praticamente à mendicância… Tudo isso possui uma raiz histórica, em que, por razões principalmente de violência e repressão, a mulher passou a ser subjugada e diminuída ao longo do tempo, e isso na grande maioria das culturas que conheço (graças a Deus os tempos têm mudado!).

 Deste modo, no contexto histórico bíblico não poderia haver maior injustiça do que equiparar absolutamente homens e mulheres, por isso, ao verificar determinações paulinas como o uso do véu e proibições de ensino e preponderância das esposas, é necessário conceber que muitas orientações visavam também dar proteção e preservação às mulheres e preservá-las de um estado de exclusão social, repúdio e retaliação.

 Há uma máxima que alguns atribuem a Ruy Barbosa e outros a Aristóteles, que diz que a verdadeira isonomia é “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades”. Entender isto certamente ajuda a compreender o porquê de tanta diferenciação na Bíblia. Vejam bem, estou afirmando que NAQUELE CONTEXTO SOCIAL homens e mulheres eram desiguais socialmente (ainda o são, mas em menor escala).

 Ciente disto, Paulo vai dizer que a mulher era tido por glória do homem porque este era a referência do modelo patriarcal vivido naquela cultura, sendo enfatizado que o homem era “imagem e glória de Deus”… mas a Bíblia não nega que a mulher também o fosse.

Aliás, Gênesis afirma categoricamente que homem e mulher foram feitos à imagem de Deus:

 “Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”. Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:26,27)

 Lendo o capítulo 2 de Gênesis, se conclui da mesma forma, ali se nota que Deus formou a mulher a partir do lado de Adão para que seja alguém que o corresponda (V. 18), e o próprio Adão enfatiza que ela seria “carne da sua carne e osso do seu osso”.

 Inequivocamente, o propósito inicial do Senhor é o de estabelecer uma relação justa e equânime entre os gêneros. Mas, o mundo se corrompeu! Estupros, assédios, violência, discriminações, agressões, nada disto era propósito de Deus, não foi para isto que a mulher foi feita, e isto é claro pela análise da criação!

 Com as mudanças sociais que temos vivido, muitas igrejas já franqueiam púlpitos às mulheres, os postos de trabalho em cargos de chefia têm sido paulatinamente ocupado por elas, mas, mesmo no século XXI, uma a cada 3 mulheres sofrem algum tipo de violência no período de um ano aqui no Brasil! Há um longo caminho a ser percorrido, portanto, algumas diferenciações continuam necessárias (licenças em virtude de gestação, incentivo a empresas que empregam mulheres, determinação da CBF para que clubes de futebol mantenham times femininos…) para que haja preservação das mulheres.

 Infelizmente, por conta da dureza do nosso coração, muita coisa foi tolerada historicamente, mas – firmemente creio – a segregação e violência suportada pela mulher ao longo dos anos não é o projeto de Deus!

 Entretanto, não parece correta a ideia de que todos somos iguais!

Aliás, uma das manifestações da Glória de Deus está no fato de sermos TODOS DIFERENTES! É disso que vive um Corpo, com membros diversos entre si! Acho que homens e mulheres, ricos e pobres, irmão mais velho e irmão mais novo, mãe e filha, negros e brancos são diferentes entre si, e assim são tratados por Deus! No entanto, creio num Deus que não faz acepção de pessoas, e que nos ama não pelo que fazemos, mas pelo que Ele fez por nós… Certamente, ama você, caro(a) leitor(a), de um jeito diferente do que me amou, totalmente personalizado e adequado às suas carências!

 A preocupação de Deus com a mulher é tamanha que incumbiu cada marido com o dever de amar sua esposa “assim como Cristo amou sua igreja”! Pode haver amor maior do que este? É o amor que tento devotar à minha esposa todos os dias, e é o amor que Deus reservou às mulheres!!!

 Não sei se é completamente correto reduzir a Bíblia à afirmação de que “homem é razão e mulher é coração”, ainda que possamos reconhecer “traços femininos” nas formas de expressão em geral, vale lembrar que ninguém na história da humanidade foi mais emoção e coração do que Jesus Cristo homem e Filho do Homem! Todos somos imagem e glória de Deus, macho e fêmea, negro e branco, rico e pobre… Todos deliciosamente diferentes entre si, cada um com vocações, vícios e virtudes distintas, ao passo que, juntos, formamos o maravilhoso CORPO de Cristo!

 Deus é Pai, é Esposo, é Senhor e Amigo. Temos o natural hábito de transferir a Ele nossas experiências pregressas, achamos que ele será um pai tão severo e hipócrita como tantos experimentaram… Um marido infiel e egoísta como muitas tiveram… Um Senhor que maltrata os empregados e é ditador, como aquele de sua empresa… Um amigo maledicente e falso como muitos que passam pela nossa vida… Mas, o nosso Deus não se compara a nada por nós conhecido! Podemos imitá-lo, mas nunca sermos a Ele comparados! Deus é Pai, mas não é como seu pai!!! É um Pai que fez questão de virar criança para brincar e entender seus filhos! É um esposo que deu a sua vida pela Esposa! É um Senhor que aceitou servir os seus servos! É um Amigo mais fiel do que um irmão… Deus ama a você incondicionalmente, não sei se mais ou menos do que ama a mim, mas de um jeito diferente, feito só para você, e que pode preencher completa e incondicionalmente sua vida!

 “… pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:27,28)

FELIZ DIA DA MULHER!

Em Cristo, o Noivo que nos amou até a morte…

Cordialmente,

Saulo Daniel Lopes

saulo@jesuscopy.com

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