Li certa vez uma história – não sei se verídica ou não – que contava sobre um rapaz que tinha sido condenado à morte por execução pelo imperador francês Napoleão Bonaparte. Diz essa história que a mãe do rapaz foi até o imperador implorar pela vida do filho. O imperador teria respondido a esta mãe que o seu filho era culpado de um crime punível com a morte, segundo as leis do país, e que era necessário que se fizesse justiça. A mãe do rapaz teria então dito: “não peço justiça, peço misericórdia!”. Napoleão teria respondido: “seu filho não merece misericórdia alguma, minha senhora”. Por fim, aquela mãe exclamou: “eu sei disso, meu senhor. Mas se ele merecesse, não seria misericórdia. E misericórdia é tudo o que eu peço!”.

Quantas vezes pessoas se apressam em nos julgar e condenar, mesmo que com razão, por algo que fizemos de errado. Pessoas de dentro das nossas casas ou do nosso círculo de amizades, em nossos empregos ou até mesmo dentro das igrejas em que frequentamos, se apresentam como acusadores, querendo mostrar nossas falhas, apontar nossos defeitos e, como verdadeiros juízes, nos condenam. Não raramente, nós também assumimos essa função de apontar erros: “Você fez tal coisa, então deve pagar”. “Não, você não pode esperar nada de bom agora, olha o que você plantou… é isso que você vai colher”. Frases desse tipo são propagadas por pessoas que se baseiam na lei da semeadura – o que você plantar, você vai colher. Muitos consideram esta uma lei inexorável, da qual não se pode escapar. Só que pessoas que dizem coisas assim, que esperam que você colha tudo o que você plantou, esquecem que quem dá a colheita é Deus. E o Senhor, muitas vezes, não nos paga segundo nós merecemos, mas nos paga segundo seu amor e misericórdia.

O apóstolo Paulo nos lembra disto ao mencionar em Romanos 9:15-16 as palavras do Senhor a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão”. E conclui: “Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus”. Saber que nosso Deus é tão bom a ponto de não nos recompensar segundo nossas iniquidades nos dá ânimo e esperança, nos faz realmente acreditar que não importa o que houve no passado, nosso e de nossos irmãos. A cada manhã temos a oportunidade de recomeçar, de fazer algo novo, de experimentarmos a misericórdia do Senhor de diferentes formas, em diferentes níveis. E nos encoraja a lembrarmos das palavras de nosso mestre: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. Coloque em prática este princípio. Coloque em prática quando você souber que um familiar seu, um irmão seu, um colega de trabalho ou até mesmo alguém que você não conhece direito está carente de amor, de compreensão, de misericórdia. Plante misericórdia, para que você possa colher misericórdia quando precisar. Quando estiver em suas mãos escolher entre exigir justiça contra o seu próximo ou ter misericórdia dele, fique sempre com a lição de Tiago 2:13: a misericórdia triunfa sobre o juízo!

[slogan]Ah, na história do começo, a resposta de Napoleão àquela mãe teria sido esta: “misericórdia pediste, misericórdia alcançaste”. Se a história é real eu não sei, mas certamente não existe um final melhor para ela.[/slogan]

Ricardo Silva
rickysilva@ig.com.br

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