Ao ver chorando Maria e os judeus que a acompanhavam, Jesus agitou-se no espírito e perturbou-se.  “Onde o colocaram?”, perguntou ele. “Vem e vê, Senhor”, responderam eles.  Jesus chorou.  Então os judeus disseram: “Vejam como ele o amava!” João 11.33-36

Estamos diante da morte de Lázaro, um homem que, conhecidamente, Jesus amava. Isto, por si só, já nos ensina uma incrível lição: os amigos de Jesus também adoecem e sofrem. Até mesmo os mais íntimos de Jesus vão adoecer e sofrer.

 Até aí não há nada de novo. Pessoas adoecendo, sofrendo e morrendo são uma realidade comum em nosso meio. O que há de diferente é que este homem, apesar da morte, experimentaria o milagre da ressurreição. Quatro dias após o funeral, Jesus chega e transforma a morte em vida. 

Mas antes disso acontecer, há outro fato novo e diferente de tudo: Jesus chora. Existem 3 tipos de choro: o choro de alegria, o choro de tristeza e o choro do crocodilo (fingido). O choro de Jesus não é um choro de alegria, nem de crocodilo, é sim um choro de tristeza. Mas como alguém que é cheio do Espírito, cujo fruto é a alegria, pode ficar triste e chorar de tristeza? Como entender a “bem-aventurança dos que choram, pois serão consolados”? Parece uma contradição de termos, mas não é. “Bem-aventurado” quer dizer feliz. Se alguém está chorando e necessita de consolo é porque este choro não é de alegria, nem de crocodilo, é sim, um choro de tristeza. Então, me responda: Como alguém triste pode ser feliz? Aí é que está o segredo: para Deus, ser feliz não é o contrário de estar triste. Ser feliz é passar pela tristeza experimentando o consolo. E quem passa pela tristeza pelos mesmos motivos de Jesus é bem-aventurado.

Muitos acreditam que sofrer é algo inadmissível para um cristão vencedor. Há igrejas que têm como lema a frase “pare de sofrer”. Como se um cristão não pudesse sofrer. Como se um cristão não pudesse chorar… Descobri que o problema não é alguém chorar, o problema é alguém perder a capacidade de sorrir de novo. Os que choram o choro de Jesus são consolados, e são felizes mesmo quando estão tristes.  

A questão é: o que te faz chorar? É bem-aventurado e, identificado com Jesus, alguém que chora por tudo, por ser mimado, ou por não saber lidar com as derrotas? Claro que não. Este não era o choro de Jesus. Sendo assim, que situações podem, de forma legítima, nos entristecer e nos fazer chorar? 

Para saber o que legitimamente deve fazer alguém chorar devemos entender porque Jesus chorou.

Antes de tudo, é bom lembrar que Jesus chorou em uma situação perfeitamente normal de se chorar. Todo mundo que perde alguém querido chora. Choramos pela dor da separação, pela saudade que ficará, pelo vazio que esta pessoa deixa em nossa vida, dentre outros reflexos da perda. Mas Jesus sabia desde o princípio que Lázaro despertaria, Ele foi lá para isso, para despertá-lo. Então o choro não era um choro de saudade, de vazio, de separação. Afinal, por que Jesus chorou então? O que as lágrimas de Jesus diziam? O que há por trás das lágrimas de Jesus? Sabemos que o choro é uma manifestação exterior de uma realidade interior. Você já parou para pensar nisso? O que se passava no interior de Jesus para que exteriormente fossem vistas lágrimas no rosto de Deus?

Jesus chorou por lamentar o estrago que o pecado fez na humanidade.

Jesus estava diante da morte. Que situação terrível! Aquele que é a Vida se encontra com a morte. Mas afinal, o que é a morte? É esquisito pensar nisso. Mas a morte, nada mais é que o estrago que o pecado fez na humanidade. Deus não criou o homem para morrer, isto foi consequência do pecado. Morrer não fazia parte do propósito divino para a humanidade. A morte entrou como um inimigo,e é o último inimigo a ser aniquilado, fazendo com que houvesse assim o DESPERDÍCIO DA VIDA. Jesus lamentou por ver tamanho sofrimento assolando a coroa da criação, por ver a vida humana em completa desordem e caos.

A atitude de Jesus é similar à de Jeremias, quando escreve as Lamentações. Chora por ver um povo destruído, sem identidade, cativo, ferido, morto, em um estado de caos. Chora por ver as consequências das escolhas humanas, mesmo em meio às recomendações divinas. Jeremias chorou profundamente e amargamente ao constatar o que o pecado pode fazer com um povo rebelde.

O choro de Jesus constata a lamentação divina ao reconhecer a saudade que a morte gera, a dor da separação fincada no coração daqueles que ficam, a angústia da ruptura de relacionamentos de amor causada pela ruptura do relacionamento do homem com Deus.

Este choro é o choro do arrependido que constata as consequências de seus pecados. Aquele que contempla a dor e a destruição do salário da desobediência. Eu já chorei este choro, é amargo, mas necessário para a transformação.

Imagino que a atitude que Deus espera que tenhamos ao nos deparar com estragos que o pecado faz seja similar. 

Nós também precisamos chorar pelo pecado. Nós também precisamos assimilar o golpe que o pecado deu em nós e chorar. Não podemos nos tornar indiferentes aos estragos e prejuízos que o pecado faz em nossa vida espirituais, sendo que somos  extremamente hipersensíveis com os prejuízos emocionais e materiais que temos.

Jesus chorou por se fazer UM com a humanidade.

Naquele momento Maria e os judeus que a acompanhavam choravam. Uma mulher chorava, um ser humano chorava. No choro de Maria estava o choro de toda a humanidade que padece os efeitos da morte. A verdade é que Jesus escolheu chorar o nosso choro por escolher ser um de nós!

Jesus veio trazer um novo conceito de humanidade. Há a humanidade de Adão, onde todos morrem, e a humanidade de Jesus, onde todos vivem. A humanidade em Jesus não é fragmentada. Jesus veio trazer uma humanidade onde todos são UM. Foi esta oração que Ele fez em João 17.23, “oro para que eles sejam um em nós, assim como nós somos um: eu neles e Tu em mim”. Jesus veio trazer o conceito de unidade humana, e Ele se fez um com a humanidade. Sendo assim, não dá para a humanidade chorar e Jesus não chorar. Ele se fez UM conosco para que fôssemos UM com Ele. Ele escolheu participar das nossas aflições para que nós pudéssemos participar da Sua glória. Jesus chora quando a humanidade chora, porque Ele quis se fazer um conosco e propor um novo jeito de ser humano, onde não estamos isolados uns dos outros e nem de Deus, mas somos UM nele e com Ele. 

Ser UM é fazer do outro uma continuação de si mesmo. É entender que somos espelhados e que a dor do outro dói em nós, a lágrima do outro também desce do nosso rosto, a alegria do outro também faz bater forte o nosso coração. Amar o próximo como a ti mesmo é amar o próximo como se ele fosse uma extensão sua, como de fato é, em Jesus.

Isto responde uma pergunta difícil: O que Jesus está fazendo quando uma mãe enterra seu filho? O que Jesus está fazendo quando uma criança é violentada? O que Jesus estava fazendo quando os judeus choravam sendo mortos por Hitler. O que Jesus está fazendo enquanto choramos? A resposta é simples: JESUS TAMBÉM ESTÁ CHORANDO, ENQUANTO TIRAMOS A PEDRA que nos limita à uma vida de morte! Jesus chora junto com a humanidade. Talvez você se pergunte até hoje: “Onde Jesus estava enquanto eu sofria?” A resposta é: Estava sofrendo junto com você! 

Mas por que Jesus, todo poderoso, não resolve logo o problema do nosso choro?

Porque nós é quem precisamos tirar a pedra que nos limita à morte.  Era a humanidade quem precisava tirar Hitler do poder, ou impedi-lo de chegar até lá. Somos nós quem devemos fazer leis que coíbem o crime. Somos nós quem precisamos educar filhos para que eles não entrem nas drogas. Porém, enquanto não tiramos a pedra Ele continua perto, chorando o nosso choro, junto conosco. Ele se fez um conosco. 

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO NESTE SOFRIMENTO! Tenho aprendido que o problema não é sofrer. O problema é sofrer sem ter quem console, quem sofra junto. O grande problema da humanidade não é o sofrimento, é a solidão. A boa notícia é que Jesus nunca nos deixará chorar sozinhos.

Marta e Maria tentaram atribuir culpa em Deus para a morte de Lázaro. Precisamos entender que não há culpa em Deus para o nosso sofrimento. Ele sofre junto conosco, esperando que façamos o que é a NOSSA RESPONSABILIDADE. Pare de culpar a Deus, pare de dizer: “se o Senhor estivesse aqui, ou se o Senhor estivesse comigo…”. Não há culpa em Jesus para as dores do mundo! Jesus se fez humano para ser um com a humanidade e chorar o choro de cada ser humano. Quando você chorar não pergunte onde Jesus está, Ele está chorando do seu lado. Ele se fez UM com você para que fôssemos UM com ele. 

Onde Jesus está quando você chora? Está chorando junto com você, enquanto você tira a pedra!

Jesus chorou porque amou e quem ama sofre.

Paulo escreve aos Coríntios que “o amor tudo sofre”. Jesus nos ensina algo, não é possível amar sem sofrer. Deus sofreu demais por nos amar. Dá para imaginar o tamanho da dor do Pai ao entregar Seu Filho? 

Sofremos porque amamos. E toda vez que sofremos porque amamos é porque queremos impedir que quem amamos sofra. Sofremos por não querer que o outro sofra. Se o choro pelo amado não é por este motivo é um choro egoísta e não é por amor.

Este é o choro da mãe que não quer perder o filho para as drogas ou para o mundo. O choro do marido que não quer ver a esposa sofrendo com uma depressão, ou qualquer outro problema de saúde. O choro da esposa que não quer ver seu casamento ruir pois sabe que muitos sofrerão. O choro do pastor ao ver uma ovelha que insiste em fugir do aprisco.

Jesus amava aquela família e nos ensina que todo relacionamento de amor envolve sofrer. Amar é querer bem e quando há um risco de que quem amamos não esteja, ou não fique bem, sofremos!

Jesus te ama e quer te ver bem. Toda vez que não te vê bem escorre uma lágrima de seu rosto. Naquele momento, Jesus não chorou por Lázaro. Lázaro apenas dormia, como Ele mesmo disse. Jesus chorou por Maria e Marta, ao ver o sofrimento de pessoas amadas. 

Por vezes, idealizamos relacionamentos perfeitos. Relacionamentos que não nos tragam sofrimento. Idealizamos filhos perfeitos, cônjuges perfeitos, irmãos perfeitos, igrejas perfeitas, ou seja, pessoas que não nos façam sofrer. Isto é impossível. Não dá para dissociar amar de sofrer. Isto porque, apesar de sermos um, somos diferentes e nesta diferença magoamos e somos magoados, mas não queremos que o outro sofra. Não há relacionamento de amor sem sofrimento. Pare de idealizar algo impossível! Ame e sofra. Jesus amou e sofreu! Não desista dos relacionamentos que te fazem sofrer, o amor é sofredor. Não abandone seu casamento, não abandone a igreja, não abandone seus filhos!

A essência do amor é sofrer por não querer que o outro sofra.

Assim será até o dia da nossa redenção, onde o sofrimento será aniquilado. Enquanto isso, devemos suportar com alegria os sofrimentos que o amor proporciona.

Jesus chorou porque se compadeceu.

Compadecer é sofrer junto. A compaixão é uma marca contínua do ministério de Jesus. Foi assim com as multidões, foi assim com a viúva de Naim, foi assim com Maria e Marta. Jesus tinha a impressionante capacidade de sofrer junto com as pessoas. 

Como disse, o problema maior não é sofrer, o problema é sofrer sozinho! Quem tem um ombro para chorar passa pelo choro sem se deformar. O que mais mata não é a decepção, é não ter alguém para partilhar a decepção. Na igreja de Jesus não é proibido sofrer, mas é proibido sofrer sozinho!

Jesus se compadeceu daquela família e a resposta natural da compaixão é o compartilhar

Quem se compadece não fica indiferente. Quem se compadece faz algo que está ao seu alcance. Ainda que o que se possa fazer não seja o bastante para resolver o problema. A resposta natural da compaixão é COMPARTILHAR.

No caso de Jesus, a compaixão gera a resposta do compartilhar a ressurreição e a vida! 

Ainda hoje, tem compartilhado conosco o Consolador. Jesus não se compadece sem compartilhar. Nós também precisamos ser uma igreja que se compadece.

Um exemplo de compaixão que se vê na Bíblia é o bom samaritano. Na passagem de Lucas  10. 25-37 há quatro tipos de pessoas:

4.1) O ferido – o que sofre. Será que você está chorando porque alguém tem te ferido? Será que você está cansado, machucado, caído porque alguém te deixou assim?

4.2) O ladrão – os que fazem sofrer– Será que você tem feito alguém chorar? Será que você, por egoismo, tem roubado alegria de alguém? Alguém está machucado por sua causa? Você tomou algo de alguém?

4.3) Os religiosos – os que são indiferentes – Será que você não tem estado indiferente e insensível à dor de muita gente na sua estrada. Será que não somos religiosos que perderam a capacidade de se ver como extensão dos outros e de sentir a dor do outro?

4.4) O samaritanoos que se compadecem e compartilham.

Se você é dos que sofrem junto com os que sofrem e se alegra com os que se alegram você entendeu bem a mensagem do Reino. O mandamento do Reino é o amor ao próximo, que se manifesta na compaixão e no ccompartilhar. Se você entendeu isso, glória a Deus pela sua vida!

Não sei quem tem sido você nesta história. Se um Lázaro, uma Marta ou Maria, um seguidor dos passos de Jesus? Se alguém que sofre, alguém que faz sofrer ou alguém indiferente? Quero te convidar a trilhar o caminho da compaixão e da partilha!

Minha oração é por você que está chorando; também por você que está fazendo alguém chorar e precisa mudar; por você que está INDIFERENTE, insensível ao próximo que sofre; e por todos nós, para que sejamos mais compassivos, como Jesus!

Dentre os insensíveis, há algo que me preocupa. Oro por você que não sente mais Deus. Quem não sente Deus não pode sentir um irmão. Peço por você que tem percebido seus nervos espirituais atrofiados, por você que está leproso. Hoje é dia de se emocionar sentindo a presença de Jesus de novo. Apenas sentindo Jesus podemos sentir uns aos outros. Você há muito não chora na presença de Deus?  Você que há muito não se derrama, não confessa, não se humilha… Deus pode te curar hoje! Não deixe de chorar por Jesus, afinal, Jesus chorou por você!

Que Deus te abençoe. 

Jonatas Leônio
izeppe.leonio@gmail.com

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