O povo judeu esperava (e muitos ainda esperam) um líder que havia sido prometido há muitos séculos pelos profetas. Acreditavam que o Messias (O Ungido) os salvaria de seus opressores romanos e estabeleceria um novo reino. Como Rei, ele governaria o mundo com justiça. Porém, muitos judeus olharam com indiferença para as profecias que falavam de um Rei, servo do Senhor, que sofreria, seria rejeitado e morto. Então não é de se admirar que poucos tenham reconhecido Jesus como Messias. Como o pobre e humilde filho de um carpinteiro de Nazaré poderia ser o prometido Rei? Mas Jesus era, e é, o Rei dos reis e Senhor dos senhores!

Vamos analisar como foram os dias que antecederam a entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus, nesta época, já estava no ápice do seu ministério, ou seja, ele já pregava por mais ou menos três anos, três anos e meio. Já haviam ocorrido vários eventos importantes relacionados a sua missão.

Jesus já havia multiplicado os pães e peixes, já havia andado por sobre o mar; já havia feito inúmeros milagres, curado toda sorte de males; ele já havia sido reconhecido por seus discípulos como o Cristo, conforme vemos na confissão de Pedro; ele já havia curado o cego Bartimeu quando passava por Jericó – aliás, os evangelhos de Marcos e de Lucas nos dão a entender que este foi um dos últimos, senão o último, milagre de Jesus antes de sua entrada triunfal, porque já aconteceu no caminho para Jerusalém, quando Jesus passava por Jericó. E o cego curado, Bartimeu, seguiu Jesus pelo caminho, e provavelmente fazia parte da multidão naquele dia.

Jesus também já havia ressuscitado a Lázaro, isso aconteceu aproximadamente uma semana antes de sua entrada em Jerusalém. E, segundo o evangelho de João, este milagre gerou duas conseqüências: foi um dos motivos que levou uma grande multidão a seguir Jesus quando ele entrou em Jerusalém, porque queriam ver tanto quem fizera este milagre, Jesus, quanto o que havia morrido e ressuscitado, Lázaro; e, em segundo lugar, fez com que os fariseus, cheios de ódio, buscassem, a partir daquele dia, um meio para o prenderem e o matarem.

Daí, chegamos ao grande dia. Jesus havia saído de Betânia, justamente da casa de Lázaro e suas irmãs, Marta e Maria, e ia pela estrada de Jerusalém, até chegar próximo ao monte das Oliveiras, quando mandou dois de seus discípulos buscarem o jumentinho. E foi montado no jumentinho para entrar na cidade. E junto ia uma multidão considerável: seus 12 discípulos mais próximos, muito provavelmente mais os 70 discípulos que ele havia enviado para pregarem por toda a Judéia e que já haviam retornado, mais aquela gente que sempre seguia a Jesus por onde ele ia e mais uma multidão de judeus que haviam presenciado a ressurreição de Lázaro.

Toda essa gente ia adiante de Jesus, estendendo seus mantos e palmas, e gritando Hosana! Não há dúvida, o episódio foi a proclamação de um rei. Mas é preciso reconhecer que Jesus quis apresentar-se como um rei humilde, conforme já havia sido predito pelo profeta Zacarias mais de 400 anos antes. Ele não utilizou um cavalo, mas um jumentinho. Um cavalo é símbolo de guerra, porém o jumento é símbolo de paz. O Salmo 24 fala da entrada de um rei em sua cidade real. Mas não de um rei qualquer, mas do Rei da Glória. E alguns esperavam que Jesus fizesse uma entrada tão gloriosa quanto essa descrita no Salmo 24. Uma entrada digna de um rei do porte de Davi, por exemplo, que entrasse montado num cavalo poderoso, com roupas de batalha. Mas os que pensavam assim novamente se esqueciam das promessas de como seria o Messias. Isaías já havia predito que um dos nomes do Messias seria “Príncipe da Paz”.

Pode o Príncipe da Paz andar num instrumento de guerra, num símbolo de combate? Evidente que não. Fazendo estas comparações, por que um homem montado num jumento haveria de ser reconhecido como Rei por aquele povo? Aos olhos da razão, não havia motivos para um homem simples, sem trajes reais, sem escolta de soldados, sem uma carruagem, ser visto como Rei. Mas havia algo em Jesus que o identificava como Rei. Jesus tinha a realeza como virtude e não como aparência. Sabemos que uma virtude é subjetiva, não podemos vê-la com os olhos naturais, nem tocá-la. Mas podemos senti-la através das atitudes e palavras.

Foi exatamente isso que ocorreu naquele dia em que Jesus entrou em Jerusalém. Sua conduta, seu falar, seu olhar, revelou ao povo que Ele era o único Rei. Todos sentiram que de Jesus fluía algo divino. Dele saía uma virtude elevada, que apenas um Deus amoroso e gracioso como o nosso possui: a humildade.

[slogan]Que nós, seus súditos, possamos lembrar disso e imitá-lo, abrindo mão de túnicas reais e nos vestindo com mantos de humildade. [/slogan]

Ricardo Silva
rickysilva@ig.com.br

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